quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Smylex

Sinto-me fresca, sinto-me leve, sinto-me protegida e segura. Tudo porque confio no meu banco!Agora com um maior poder de absorção do meu capital! E nem sinto nada!

Não serei o fã número um da globalização, mas considero que não existe nada de mal num bocadinho de iniciativa privada, desde que se estabeleça num quadro legal e seguindo um código tácito de ética empresarial.
Porém, alguns, embriagados pela ganância e sede de poder, quebram todo o tipo de leis, escrúpulos e princípios, esmagam quem ousa se cruzar no seu caminho, e criam verdadeiros impérios do crime num clima de total impunidade. Falo, como é evidente, da Banca e Seguros.

O problema com a Banca e Seguros é que é difícil vivermos sem eles. E eles sabem-no. O que torna ainda mais ridículo a publicidade dessas instituições. Para ser sincero, eu aprecio Marketing e Publicidade, mas a publicidade que a Banca e os Seguros fazem provoca-me uma náusea só superada pela da auto-promoção que a TVI faz todas as dias no Jornal da Noite.

Todo o marketing se baseia em fazer passar 2 idéias:
1º) Você precisa MESMO muito do produto que oferecemos e
2º) o nosso produto é MESMO muito melhor que o da concorrência.
O da Banca não poderia ser diferente, mas a meu ver usa e abusa dos estereótipos do marketing baixando a um nível quase caricatural.

Na publicidade bancária, toda a gente é muito simpática e sorri muito. Aliás é mais fácil encontrar dentes brancos e impecáveis num spot publicitário de um banco do que num da Colgate ou da Pepsodent.
Nos flyers, fotos de frente de tipos a sorrir de orelha a orelha, braços cruzados, como se abaixo do equador a sua glande estivesse a ser disputada taco a taco pelas línguas lambonas da Angelina e da Scarlett. Mulheres tão seguras, felizes e confiantes como se estivessem num anúncio de pensinhos higiénicos, enquanto vêem o George Clooney a efectuar um leeento strip-tease ao som de Joe Cocker.

Funcionários sorridentes recebem clientes sorridentes (embora a ideia de uma dentição natural, completa e limpa possa parecer estranha a clientes da CGD) num sorridente banco. No banco sorridente, não há demoras, nem filas de espera. O simpático, competente e prestável funcionário sorridente, espera sorridentemente os sorridentes clientes (sorridentes jovens, sorridentes famílias, sorridentes idosos), num ambiente agradável, limpo (sem nenhuma cinza, beata ou papel de Multibanco no chão). Por toda a parte, imagens de celebridades sorridentes. Afinal se uma actriz boazona ou um futebolista famoso recomendam esse cartão de crédito ou este banco, quem sou eu para não meter aqui todo o meu dinheiro?
A vida deveria ser como um flyer de um Banco. Uma história com fim, meio e princípio feliz. No nosso banco, gostamos de si. Gostamos mesmo de si. Me loves you long time! E somos melhores e gostamos mais de si que a concorrência. Não dá para ver pelos nossos sorrisos!?? Quer nos vender a sua alma para garantir os seus desejos? Consulte os nossos produtos de crédito e empréstimos (os bancos gostam de falar muito em "produtos", como se estivessem a vender alface, ovos ou leite), e seja bem-vindo ao maravilhoso mundo do endividamento! É mais ou menos Dante, mas sem a riqueza lírica. Tem algum dinheirinho extra? Deposite-o nas nossas contas a prazo. Nós fazemos milhões para nós a partir do seu dinheiro e depois damos-lhe uns trocados. Ou melhor, aplique-o. Assim sabemos que não pode mexer no seu dinheiro durante uns anos, fazemos ainda mais milhões para nós, e depois até lhe damos uns troquitos extra.
Quer ter coisas que não pode ter? Habilite-se aos nossos cartões de crédito! Tenha tudo o que quis já hoje, e pague quando Deus quiser (desde que Deus queira que pague regularmente todos os meses!).
Tudo no seu melhor interesse claro. Vá lá, arreganhe a tacha!
Quer se sentir seguro? Subscreva já as nossas apólices. E não se preocupe com a letra miudinha no fundo. É só jargão técnico que não lhe interessa, e sempre se poupa papel. De certeza que não quer pagar um extrazinho para ficar seguro de pragas de gafanhotos? Depois não se queixe.
Experimente já agora, o nosso seguro de vida. Assim já sabe que vale mais morto do que vivo, e a sua mulher fica a saber que se algo lhe acontecer – o Diabo seja cego, surdo e mudo – ela pode ficar milionária do dia para a noite! Vá, mostre lá esses esmaltes!

Mas não nos agradeça. Por quem sóis! Nós só fazemos isso pelo seu interesse. E sorrimos muito. Isso não chega?

domingo, 4 de fevereiro de 2007

A 11 de Fevereiro, lembrem-se: a vida é sagrada!


SIM, a vida de milhares de mulheres portuguesas que todos os anos arriscam-na e à saúde entregando-se aos cuidados de aborteiros oportunistas, em condições de higiene e saúde no mínimo duvidosas, isto se não tiverem condições financeiras para o fazerem em países realmente europeus e realmente do século XXI, é sagrada! SIM!

Ao contrário do que querem fazer crer as organizações “pró”-vida, e quem está por detrás delas (a começar pelo Cardeal-Patarata de Lisboa, o humorista que disse que a Igreja não se iria imiscuir no referendo), o aborto não é um crime. Um crime é dar à luz os bebés e atirá-los para o lixo, OU (o que é ainda mais desumano) atirá-los para uma existência plena de abusos psicológicos e físicos. Crime é violar, torturar e matar crianças que deveriam ser amadas!
O aborto deve ser evitado; mas se for mesmo necessário, é um direito e uma escolha da mulher!

Eu respeito a decisão de quem votar “Não”! É uma democracia, julgo, e como diria Voltaire a Rousseau: “Não concordo com o que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito a fazê-lo.”
Mas não posso aceitar argumentos que caiam no ridículo. Não posso aceitar que no século XXI alguns párocos ainda nos queiram vir ameaçar com excomunhões, ou dizer que uma criança de 10 anos tem mais possibilidades de se defender de uma agressão que um feto!!!
Para quê esses discursos? Eles acreditam mesmo que alguém vai mudar o sentido de voto com medo do Diabo??????? Ano 2000? A parte mais conservadora do Clero ainda nem em 1500 vai!!!
Acima de tudo não posso aceitar a hipocrisia da Igreja!
Dizem que a vida é sagrada, mas porque é que oficialmente toleram o aborto em casos de violação? Há anos atrás umas freiras foram violadas em África, e puderam interromper voluntariamente a gravidez. Porquê? Porque é que os fetos, inocentes do facto de serem fruto de violação, têm menos direito à vida que os outros fetos? Saberão estes senhores que a violação pode acontecer no leito conjugal, dentro dos sagrados laços matrimoniais?
Admiro a coerência de Fernando Santos, conhecido treinador de uma associação desportiva lisboeta. Ele é CONTRA todo o tipo de abortos, mesmo em caso de violação.
Isso SIM, é coerência e honestidade, e digo-o com toda a sinceridade, mesmo que discorde dele.

A questão ética-religiosa é a seguinte: a Igreja não é a favor da vida. A Igreja é a favor de TUDO que possa evitar, dificultar ou em última instância punir o sexo com outro intuito que não seja a reprodução!

Ao contrário do que pensam ALGUNS defensores do “Não”, as mulheres que optem por abortar não são putas levianas e assassinas. São seres humanos que podem ter cometido um erro, SIM, (“Uma vida não é um erro”, dirão alguns. Eu concordo. Mas conceber sem condições emocionais, psicológicas ou económicas é um erro, e dos grandes!) mas que têm todo o direito de o corrigir em condições dignas, limpas e seguras, sem estarem sujeitas a acusações criminais E a estigmatizações e preconceitos sociais.

A 11 de Fevereiro, lembrem-se disso, SIM!??

80s

Estes dias tenho ouvido muita música dos anos 80, em web-radio.

Por isso, resolvi ressuscitar o meu blog sobre os anos 80 (olha que bom!)

Por isso já sabes:

That 80´s Show is back!

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Está frio...

Um cego encontra-se perante uma bela estátua. Acariciando-a com as palmas das mãos, vai percorrendo cada centímetro, cada angulosidade, cada curvatura da obra, até visualizar no seu cérebro a forma. E chegou à conclusão que era bela, esta forma. Depois martelou suavemente com os nós dos dedos a estátua, e a sua audição feriu-se com o som do vácuo. Foi quando chegou à conclusão que a beleza da forma se acabava no silêncio e no frio da pedra.


Eu estava lá, e eu estar lá parecia fazer toda a diferença. Não se notou ao princípio mas depois, com o passar do serão. “Foi bom ouvir sons humanos outra vez naquela casa”, foi-me dito ao fim; e um silêncio sorumbático foi a única resposta que dei, e no meu âmago esse silêncio foi agridoce.

Estava feliz por ajudar, aquela felicidade que o é porque se confunde com o orgulho de (poder ser capaz de) ajudar…mas não deixei de estar triste por eles, e sobretudo por ela.
O calor que me dedicaram foi sincero e verdadeiro…e eu senti-o. Mas também senti que foi uma excepção, fui uma excepção. E senti frio!

Não há nada errado naquela casa…não deve faltar amor. Mas é tudo tão…FRIO! E silencioso…e o frio, e o silêncio e o tédio transbordam dos lares mais felizes. Não me atreveria a chutar a pureza alva da parede da sala…quantas baratas devem lá existir. E quantos esqueletos de tantos dias e tantas noites frias e silenciosas e entediantes.

Já em casa, preparo-me para dormir. Só, mas não me sinto sozinho. Sinto-me na minha toca, seguro e aconchegado do frio que se faz sentir; adormeço pensando no paradoxo que a Solidão é um jogo que se pode jogar a dois.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Jesus, Joseph and doggy-style Mary!!* Nooo!

You Are Most Like George H. W. Bush

You're considered boring by people that don't know you well. But like Bush senior, you do crazy things.
Maybe you'll end up banning broccoli in your house, or puking on the Prime Minster of Japan!



* Que é a minha quote favorita do Jarhead! Assim, já estou a falar de cinema, ou seja, a alargar o alcance temático do post, e a tentar disfarçar o facto de estar a encher esta merda com quizes, apesar de já ter dito que não os suporto. Mas lá está. Sou coerente na incoerência.

Scoop

E com este post retomo aquela antiga tradição de mandar os meus bitaites sobre filmes que vi. Desengane-se, porém, quem pensa que isto vai ser como antigamente, em que eu postava sobre toda e qualquer bosta que ia ver ao cinema. Sou uma pessoa mais criteriosa, e já há muito que me deixei de gastar o meu tempo e dinheiro – nem um nem outro são abundantes – em merda! Pelo menos faço por isso, mesmo que esse objectivo nem sempre seja alcançado.

Podem dizer que o homem está velho, acabado, que perdeu punch…é natural, a idade não perdoa, e após tantos e tantos filmes torna-se difícil manter o mesmo ritmo, e a mesma frescura, e a mesma originalidade. Mas que querem? Eu gosto muito do Woody Allen. E continuo a gostar. Não gosto por ser fino ou intelectualóide gostar do tio Woody, mas porque vou ver os filmes dele - alguns são melhores que outros, evidentemente - e me entretenho. Gosto dos filmes deles porque me entretêm, sim, mas não aquela sensação de divertimento acéfalo e vazio que nos invade depois de termos visto uma comédia idiota, um slasher movie sem categoria ou um blockbuster com mais marketing que conteúdo. Há dias falava com alguns amigos que não apreciam especialmente o tio Woody, e houve um que disse: “O Match Point sempre é melhor que o Scoop.” Como filme, concedo que sim. O argumento do Match Point é mais denso, mais twisted e – apesar de não ser um paradoxo de originalidade – é menos previsível que o Scoop. Match Point é um filme mais sério, e em termos de contextualização, mais “inglês” que Scoop, que apesar de também ter sido filmado no Reino Unido (o Velho Continente sempre valorizou mais Allen que o seu próprio país) poderia muito bem se passar na sua querida Nova York.
Mas a questão é que, apesar de eu considerar o Match Point um melhor filme (embora não dos melhores de Woody Allen), gosto mais do Scoop. E porquê? Porque o Woody Allen participa como actor. E eu gosto mais assim. Outro amigo meu disse que as personagens deles são sempre irritantes e sobretudo iguais. Mas evidente! Isso acontece porque as personagens dele…não são personagens! Seja qual for o nome que apresentem, as personagens são sempre o Woody Allen. Aquilo é o que o Woody é, aquilo é o que o Woody diria, aquilo é o que o Woody faria se estivesse na mesma situação da personagem.
Em Scoop, quando ele diz “I was born on the hebrew religion, but I converted to narcisism”, ou quando a Scarlett Johansson (que “A Ilha” seja lembrado como apenas um acidente de percurso numa carreira que se espera longa) lhe diz “For you, the glass is always half-empty” e ele responde: “No, for me it´s always half-full…of poison!”, ou ainda quando a personagem dele descreve o que gosta ou desgosta em Londres, ali sabemos que o filme parou e que estamos a escutar o verdadeiro Woody, o bom, velho, paranóico, neurótico, existencialista Woody. Gostei da sinergia entre a personagem dele (um ilusionista americano) e a da Scarlett (uma aspirante a jornalista americana que contacta através de um truque do mágico, com o fantasma de um famoso repórter morto, que a pode ajudar a encontrar o grande “furo” jornalístico que lance a sua carreira), e aprecio a versatilidade cinematográfica de Hugh Jackman.
O argumento, embora aligeirado, não é fútil, focando sobretudo na dicotomia entre a razão e a emoção, vontade e sentido do dever, o que desejamos e o que sabemos (ou tememos) ser certo, entre o que idealizamos e a realidade.

O melhor de Woody já lá vai? Talvez. Mas se todos envelhecêssemos assim, a decadência seria uma coisa maravilhosa!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Tenho mesmo que dar títulos a estes testes de merda da blogthings?

You Are a New School Democrat

You like partying and politics - and are likely to be young and affluent.
You're less religious, traditional, and uptight than most Democrats.
Smoking pot, homosexuality, and gambling are all okay in your book.
You prefer that the government help people take care of themselves.