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quarta-feira, 9 de abril de 2008


Há filmes poéticos. Orphée de Jean Cocteau é poesia feita celulóide.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

We wish you a merry Fantas - Fantas Carols

Have yourself a merry little Fantas, Let your heart be light
From now on, we’ll watch Cinema all night
Have yourself a merry little Fantas, No matter what they say,
From now on, we’ll watch Cinema all day

Here we are as in olden days,
Happy golden days of yore.
People you only see at Fantas Gather near to you once more.
Through the years We all will be together, If the Rio allow
Hang a poster upon Rivoli’s highest wall. And have yourself A merry little Fantas now

…………………………………………………………………………………..
Oh! The funding was cut,
You better not cry,
Be ever so patient, I'm telling you why:
Mário Dorminsky is coming to town!

He has made a guests list,
He's checking it twice,
He's gonna find out The centralist government wasn’t too nice.
Mário Dorminsky is coming to town!

…………………………………………………………………………………………….


Drop everything and run to the Rivoli,
Fa la la la la, la la la la.
Tis the season to be jolly,
Fa la la la la, la la la la.
Sing we geeks, all together,
Fa la la la la, la la la la.
Heedless of Rio and La Féria,
Fa la la la la, la la la la



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Joy to Porto! the Fantas is come;
let Rivoli receive his King;
Let Filipe Laféria prepare Him room, for movies by Takashi and Kim,
for movies by Takashi and Kim, for movies, for movies by Takashi and Kim


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Oh the movies this year seem dreadful,
But the spirit is so delightful,
And even if they have nothing better to show,
Let us go! Let us go! Let us go!


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The Start bell rings, are you listening,
In both auditoriums, the silver screens are glistening
A beautiful sight, We're happy tonight.
Walking in a Fantas wonderland



:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

It's The Most Wonderful Time Of The Year
With the geeks gently gathering
And all pseudo-intellectuals pretending to be of good cheer
It's The Most Wonderful Time Of The Year
It's the hap -happiest season of all
With a grand overture session with a blockbuster premiere
And Indie movie from all over the world
It's the hap - happiest season of all


There'll be B-list guests for hosting
Orient Express from Tokyo to Beijing
And short movies to show
There'll be cheesy zombie stories
And old classic glories of
Cinema from long, long ago
It's The Most Wonderful Time Of The Year
It's The Most Wonderful Time
It's The Most Wonderful Time
It's The Most Wonderful Time Of The Year

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Control


Muita gente viu o filme dos Simpsons, aguardado há quase 20 anos. Curiosamente, a opinião de quase toda a gente é: “Não passa de um episódio mais longo”. Ao que eu respondo que isso não é obrigatoriamente mau, mas em última análise, estavam à espera de quê?

Algumas pessoas viram o filme Control, sobre a vida e morte de Ian Curtis, mítico vocalista dos Joy Division, banda emblemática do cenário Post Punk, que se enforcou aos 23 anos de idade. Não curiosamente, a opinião de quase toda a gente é: “É um filme muito cinzento”. Ao que eu respondo que isso não é obrigatoriamente mau, mas em última análise, estavam à espera de quê?

Um filme sobre os subúrbios de Manchester no início da era Thatcher, um filme sobre os Joy Division, um filme sobre Ian Curtis, dificilmente poderia ser pintado com alegres paletes, independentemente de quem realizasse o filme. Mas um filme sobre Ian Curtis realizado pelo fotógrafo/realizador de vídeos musicais holandês Anton Corbijn só podia mesmo ser cinzento. Relembremos que Corbijn não se limitou a capturar, no final dos anos 70, o mundo cinzento de Ian Curtis. Ele foi um dos principais impulsionadores do que se poderá chamar estética urabano-depressiva. Veja-se o clip de Atmosphere, de sua autoria.

Este belo filme, mais griz que o manicaistamente habitual preto-e-branco, é vagamente baseado em Touching from a Distance, o morninho e ambivalente livro de Deborah Curtis (que dizem as más línguas terá afirmado sobre o Control: “I fucking hated it!”). Poderá parecer bastante parado aos seus detractores, que afirmam que chegou ao ponto de dar uma imagem muito morta do Tony Wilson, que era tudo menos uma personagem apagada. Penso que todos concordamos que Tony Wilson foi alguém muito mais interessante e colorido que Ian Curtis, e que 24 Hours Party People é um filme muito melhor que o Control. Porém, é minha opinião que essa “mortificação” de Wilson é propositada, e causada por isso mesmo: pelo facto dele ter sido alguém mais interessante e colorido que Curtis. O filme não poderia sair nunca da órbita de Curtis.

E para mim, é aí que o filme ganha toda a sua beleza. Mais do que tratar da vida e morte de Ian Curtis (música, casamento, paternidade, adultério, ataques epilépticos, suicídio) e da história dos Joy Division; este filme trata de um triângulo, que ultrapassa os limites do amoroso e entra no campo das concepções de vida. O filme poderia haver-se chamado Deborah vs Annik.

Produto do seu meio sócio-cultural, Ian Curtis era uma pessoa simples, mesmo mesquinha e conservadora. Nesse sentido, Deborah era a incorporação de todos os seus pequeninos sonhos de classe trabalhadora: Girl next door, simples como ele, dócil e que votasse Tory por imposição do marido, casamento de sonho, filhos, um emprego estável, um pacato envelhecer nos subúrbios do Noroeste inglês.

Annik Honoré era o oposto, e o tipo de mulher a que Curtis só teria acesso pela via do estrelato. Estrangeira, exótica, continental (se é que um belga pode ser exótico), com um emprego emocionante de jornalista, livre-pensadora, uma mulher independente que consegue fazer-se notar num mundo de homens.

Em Maio de 1980, ciente do adultério, Deborah Curtis exige o divórcio. A imagem do casamento precoce e feliz derroca, e Ian Curtis, porque ele ERA tacanho e muito conservador, vê-se frente ao seu pior pesadelo: Divórcio. Surge o eterno drama pequeno-burguês inglês: “What will the neighbours think!?”.
Face a isso, e com a mente em erosão constante, Ian Curtis incapaz de lidar com os problemas e face a voos demasiado altos – “I will see you Monday” terá dita à banda no fatídico sábado que precederia a Tornee dos Joy Division nos EUA - realiza o que Tony Wilson uma vez chamou “o mais altruísta dos suicídios”.

Não concordo que tenha sido um acto de altruísmo, mas foi certamente o acto de desespero de alguém cuja ambição era muito pequena. Ícaro morreu porque sonhou sempre ir mais além. Ian morreu porque os factos ultrapassaram os seus sonhos.

Control não é o melhor filme de sempre. E Ian Curtis não era o melhor músico ou a melhor pessoa de sempre. Mas o filme retrata bem a ideia que muita gente tem sobre o imortal vocalista dos Joy Division. E quando em qualquer bar ou disco em qualquer parte do mundo o baixo de Peter Hook começar a tocar os primeiros acordes de “Love will tear us apart”, e pessoas de todas as idades, mesmo que tenham nascido depois de 1990 reagirem imediatamente, isso só vem provar uma das ideias mais batidas do mundo: “morre o homem, nasce a lenda”.

Cheers, Ian, wherever you are.

sábado, 3 de novembro de 2007

La putaine respecteuse

Consta por aí que já chegou às salas de cinema o filme mais polémico e aguardado de todos os tempos, incrivelmente ignorado por Cannes, Veneza e Berlim, mas desde já apontado como principal favorito a arrebatar o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro da Academia de Hollywood, ano que vem.

Falo, evidentemente, de "Corrupção", realizado por...e escrito por.... Bem, para dizer a verdade não se sabe ao certo quem realizou e escreveu este filme filho de pais incógnitos, uma vez que o realizador e o argumentista, alegando um desentendimento artístico com o produtor recusaram-se a assinar a ficha. Mas corre o boato que o argumento é de Leonor P., née Leonardo Pinhão, conhecida jornalista e adepta encarnada (mas não necessariamente por essa ordem)e o filme foi realizado por aquele man que é casado com ela.

"Corrupção", que será o primeiro - e último - filme português que muitos milhões de portugueses verão, é uma "adaptação libre" de "Eu, Carolina", que curiosamente foi o primeiro - e último livro - que muitos milhões de portugueses leram na vida (inclusive, alguns até conseguiram ler até ao fim). Tal livro fou escrito por Carolin...digo foi ditado por Carolina, escrito por uma outra gaja qualquer e re-escrito por Leonor P..

Eu estou a falar de cor, pois não planeio comprar nem ler quer o filme quer o livro, já que o meu lema é:

"Time is money...and what little I have of either one is not to be spent away on shit."

Mas ao que me consta, o livro versa a história de Carolina, que passou de ser uma das mulheres mais odiadas pelo país ao estatuto de santa canonizada pela imprensa lisboeta, de tal forma que é de estranhar que o novo santuário de Fátima não tenha um altar dedicado a ela.

O filme, largamente patrocinado pela imprensa, conta com a participação de Nicolau Breyner como o enigmático "Sr. Presidente" e uma gaja qualquer no papel de Carol...digo, de Sofia.

Ora, o timing do filme não podia ser melhor. O "Sr. Presidente" está feliz a nível pessoal, e o seu clube com maior ou menor dificuldade vai de vento em popa, enquanto os seus adversários.... De tal maneira, que deixo aqui para apreciação de Leonor P. e do gajo que é casado com ela um esboço da sequela:

Corrupção II:

O processo judicial acaba por ilibar o "Sr. Presidente" e o seu clube. O "Sr. Presidente" acaba por casar com a mãe da sua filha, que foi esbofeteada selvaticamente por "Sofia". O clube do "Sr. Presidente" é o único em Portugal a singrar na Europa, e o campeonato nacional da liga pouco mais é que um treino para os seus jogos Europeus. Os seus rivais lutam pelo ambicionado título de vice-campeão nacional.
Incapaz de provar as acusações que faz, Sofia é a única que vai parar com os costados à cadeia, ficando na mesma cela de uma ucraniana de cabelo rapado e de 88 kilos que faz dela a sua bitch.
Vendo a filha Sofia na prisão, e sendo abandonado pela irmã gêmea desta, contra a qual proferiu acusações e insultos incríveis, o pai de Sofia enforca-se em casa.
Os inimigos do "Sr. Presidente" não sabem onde meter a cabeça. Leonor P. morre de overdose de azia, e o gajo que é casado com ela cai em coma profundo.
Quando acorda em Maio, vê o clube do "Sr. Presidente" ganhar pela terceira vez a Liga dos Campeões Europeus. Incapacitado de falar, gesticula nervosamente a implorar que lhe desliguem a máquina.

sábado, 18 de agosto de 2007

Ladri di biciclette


Uma verdadeira pérola da filmografia de Vittorio de Sica e do neorealismo italiano em geral, "Ladrões de Bicicletas" é uma tocante pequena história que retrata fielmente os anos duros da Itália do pós-guerra, a fome, o desemprego, a falta de oportunidades, o desespero extremado ao ponto de buscar evasão na oração e no recurso a videntes.
Antonio Ricci, um romano desempregado e com família para cuidar, pensa que a Sorte finalmente lhe sorriu quando o Centro de Emprego lhe oferece o lugar de colador de cartazes. Único senão: ele tem que ter uma bicicleta. Como a tivesse posto no prego, vai empenhar os próprios lençóis da cama para ter dinheiro para a resgatar. Porém, logo no primeiro dia quando colava o cartaz, um jovem rouba-lhe a bicicleta. Incapaz de contar a verdade à mulher, e a ter que voltar ao emprego o mais rapidamente possível, com a ajuda do filho e dos amigos percorre Roma numa busca desesperada pelas feiras, sabendo que não pode contar com a ajuda da Policia, que não tem pistas nem vontade de ajudar num caso para eles tão banal como o roubo de uma bicicleta, embora esse roubo possa pôr em causa o futuro de um homem. O desespero leva-o a procurar o auxílio da vidente a que a mulher recorria - contra a vontade dele - mas nem aí consegue resolver o seu problema.
Impressionante o retrato famélico e de derrotado pela vida do actor principal. Sobretudo em duas situações. A primeira quando ele reconhece o ladrão, mas é insultado e enxovalhado pelos vizinhos do bairro deste. A segunda quando ele decide - após ter visto como o filho mais novo de uma família rica que se banqueteava com uma lauta refeição lançava olhares de superioridade ao seu próprio filho, enquanto os dois tinham que se satisfazer com pão com mozzarella e uma caneca de vinho - que não pode desistir do seu sustento, e decide roubar uma bicicleta.
Acaba por ser apanhado, e mais uma vez se resigna, a derrota espelhada no rosto, a ser enxutado e ameaçado por uma multidão em fúria. Acaba por ser perdoado pelo proprietário da bicicleta que quis roubar.
E o filme acaba com ele e o filho a perderem-se no meio da multidão igual a eles, sem rosto, sem nome, sem futuro.
De uma sensibilidade extrema, sem nunca pisar o terreno dúbio da comoção fácil.

Battle Royale

Naquele contexto temporal típico dos filmes de acção/FC, "Num futuro não muito distante", não pós-apocalíptico mas com um cheirinho de cyberpunk qb, a actuação da juventude nas escolas e na sociedade nipónica é de tal maneira insustentável que o governo japonês promulga uma Acta que obriga todos os anos uma turma de uma qualquer escola secundária do país (escolha feita por sorteio aleatório) a deslocar-se para uma ilha isolada, em que só poderá haver um sobrevivente entre eles. O filme, promovido com a frase bombástica "Could you kill your best friend?" coloca os alunos e alunas na dramática situação de terem que matar os seus colegas para sobreviver. O sobrevivente aparece não só como um vencedor, mas sobretudo como um exemplo dos extremos a que os governos - personificado pelo professor, uma figura violenta e patética, gozado por todos os alunos, abandonado pela família, com uma paixoneta pela actriz principal - chegam para travar e condicionar a juventude (e a sociedade em geral!?)
Smells like A Clockwork Orange? Hum...não. É uma boa distracção evasiva, mas nada a ver com o livro de Burgess/filme de Kubrick

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

The Simpsons


Eu não me consigo cansar dos Simpsons. Não é a minha série de animação favorita, que neste momento continua a ser o Family Guy (deixem-me ver o Drawn Together e o Robot Chicken, e eu depois digo-vos qualquer coisa). Mas, 18 anos depois, a magia amarela continua viva como sempre. Neste momento, eu já vi 13 temporadas. Falta-me ver os últimos 5 anos, mas quem tem visto diz-me que a qualidade não tem sido famosa. É natural. 18 anos deteriora muita coisa.
Ok, o filme não traz nada de novo. Como na maior parte dos episódios, o filme gira à volta do Homer, o verdadeiro anti-herói e personagem principal, destronando Bart que era o favorito da maior parte das pessoas nos primeiros episódios.
Como acontece nestes casos (veja-se Beavis & Butt-Head na América e South Park - o Filme), a animação é muito superior à da TV, com muitos cenários efeitos 3-D, e embora não haja linguagem ofensiva, há muitas coisas no filme que não passariam na TV (desde mostrarem a pilinha de Bart ao discurso iconoclasta de Homer no início), mas em termos de idéias, não passa mesmo de um episódio longo dos Simpsons.
Para mim isso basta-me. Se queres idéias novas, continua a rezar para fazerem um filme do Futurama. Now, that would be something to write home about!

terça-feira, 31 de julho de 2007

30 de Julho de 2007 - o dia mais negro do Cinema Europeu


...E no entanto, a dia da morte de um artista cujo nome, memória e obra olham com indiferença, incólumes, a lenta sucessão dos séculos, é um dia de alegria. O seu fenecimento, por paradoxal que a idéia seja, mais não é que um rito iniciático à Imortalidade.
RIP, Ingmar e Michelangelo e bem-vindos à Lenda.
(mas agora a sério, dois chegam. Daqui a pouco este blog vai parecer o Clube dos Realizadores mortos).

segunda-feira, 30 de julho de 2007

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Death Proof


Ele está de volta! Um bocado mais velho, um pouquinho mais careca, um nadinha mais gordo. Mas ainda, hoje e sempre, a expressão máxima do cool na Pop Art contemporânea.

Sim, Tarantino está de volta com Death Proof, a sequela(!) do filme repartido chamado Grindhouse que escreveu e fez em parceria com Robert Rodriguez. A prequela, Planet Terror, realizada por Rodriguez tem estreia em Setembro.

OK, pessoalmente não acho que Death Proof seja o melhor filme de Tarantino. Seria injusto compará-lo aos seus “irmãos mais velhos” no entanto, uma vez que não é um projecto independente e autónomo. Mas tudo o que nos faz gostar de Tarantino está lá:
violência a testar os nossos limites, o seu excesso gráfico não sendo gratuito, um forte sexual innuendo, um argumento mirabolante e cheio de twists and turns, e diálogos de coisas banais spiked com humor muito inteligente.

Há duas coisas que saltam à vista neste filme: um forte 70s feeling (Duel vem à mente nalgumas cenas) e claro está, o girl power.

A 1ª parte do filme parece um Coyote Ugly on steroids. E que bem que está Quentin no seu cameo usual representando o barman Warren.
Claro, aqui aparece a verdadeira estrela do filme, Kurt Russel, no seu melhor papel desde há anos, uma nova feliz "vítima" da magia tarantinesca de ressuscitar carreiras.
Russel como o Duplo Mike, retornado como uma espécie de um evil Snake Plissken, com os dois olhos mas seriamente perturbado, muito menos susceptível de excitação sexual por um fabuloso lap dance do que pela caça e assassinato de jovens e belas mulheres na auto-estrada, atirando-se contra os carros delas com o seu carro de stuntman, “à prova de morte se estiveres sentado ao volante”.

O girlpower, presente em Kill Bill (como esquecer The Bride?!) aqui aparece em força, quando três mulheres (a beleza exótica de Rosario Dawnson volta a revestir-se de força depois de Sin City, e de referir o bom trabalho de Zoe Bell, a stuntwoman kiwi que costuma trabalhar nos filmes de Tarantino) agindo em conjunto, vão finalmente lutar contra a esmagadora falocracia de Mike. Um homem e o seu carro num mundo em que as mulheres não são mais que mero objecto de caça e gozo, a serem usadas, mastigadas e cuspidas a seu bel-prazer. Fast cars, fast women. A metáfora sexual torna-se mais do que evidente quando vemos o Stuntman Mike sentado no capô do carro, com o ornamento a surgir entre as pernas.

Em nota de rodapé, adorei essa de aparecer o sheriff do Kill Bill e o seu “son number one”. E a cena em que aparece Lebanon…e somente uns segundos depois ,Tenesse.

São estes pequenos nadas tarantinescos que definem o autor e a sua obra.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Trannies


Michael Bay é Um Transformer: Conseguiu transformar uma linda memória de infância em duas horas de merda cinematográfica.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Fight Club


"The first rule of Fight Club is you do not talk about Fight Club.
The second rule of Fight Club is you do not talk about Fight Club."
Eu já vi este filme muitas vezes (tenho inclusive uma edição especial do DVD cuja caixa parece embrulhada naquele papel castanho de embrulho onde eram vendidos os sabonetes do Tyler Durden).
Mas só recentemente tive a oportunidade de adquirir e ler o livro de Chuck Palahniuk, e tenho a dizer que estamos perante um daqueles casos infelizmente raros em que tanto o livro como o filme baseado no livro são bastante idênticos e igualmente brilhantes (além deste assim de repente só me lembro de The Shinning e de A Clockwork Orange).
Anarquia, dupla personalidade, terrorismo urbano, clips pornográficos escondidos em filmes infantis, empregados a mijar na comida dos ricos e famosos em restaurantes chicks, e gajos a desfazerem-se à porrada! Como poderia falhar?
"We are the middle children of history, raised by television to believe we´ll be millionaires, and movie stars and rock stars, but we won´t. And we are just learning this fact, so don´t fuck with us."

PS - Hoje vi o Zodiac, e tenho que dizer que o David Fincher, depois de The Game, Se7en e Fight Club desiludiu-me muito, mesmo.

domingo, 10 de junho de 2007

A Gore movie


As reuniões do G-8 são engraçadas. Há sempre situações hilariantes, quase sempre associadas ao George W. Bush (na penúltima foi a massagem de ombros à Merkel,
desta vez foi o seu problema estomacal), malta anti-globalização a levar cacetada da polícia, e sobretudo discutem-se temas importantes. Desta feita dever-se-ia ter discutido o problema do aquecimento globar e das emissões de c02, mas achou-se mais piada estar-se a brincar ao regresso à Guerra Fria.
Vi recentemente o filme-documentário baseado no livro do Al Gore, Uma Verdade Inconveniente.

É um bom documentário, com algumas referências biográficas a Al Gore. Al Gore, que se faz pagar bem pelas suas conferências/eco-gritos de aviso, como todo bom americano tem espírito de showbizz e consegue dar um toque de espectáculo e interesse a uma coisa que um europeu tornaria certamente bem mais chata e monótona.

Al Gore não é tão anarca como Michael Moore, evidentemente, e mostrou bom perder relativamente à sua duvidosa derrota eleitoral de 2000 ao mesmo tempo que não é demasiado rude com o lobby do petróleo e do gás.

Tenho que dizer que fiquei preocupado. As estatísticas e factos puros e duros apresentados por Gore demonstram que emitiu-se mais c02 nas últimas décadas que nas centenas de milhares de anos anteriores. Agora que o buraco no ozono parece ser um problema menor, o risco de se derreterem as calotas polares e o risco de secas e inundações terríveis são perigos bem reais.
O filme dá conselhos sobre como podemos ajudar a não matarmos totalmente o nosso planeta. Claro que eu tenho a esperança que a Terra acabe connosco antes que nós acabemos com ela.
Pessoalmente estou a torcer pela Terra.
Mais aqui

domingo, 6 de maio de 2007

Homem-Aranha 3


Do Homem-Aranha 3 só tenho que dizer que é o melhor dos 3. Excelente e deliciosa a parte do bad-ass Parker/Black Spidey. Grandes Venom e Sandman (que tal como o Dr Octopus não é tão mau como isso)! O Tobey É o Peter e a Kirsten...bom, a Kirsten se calhar não é assim tão boa actriz, mas é tão deliciosamente hot. Bruce Campbell, como sempre a fazer uma perninha nos filmes do Spidey, desta vez como um Maitre D´Hotel Francês.
O perdão é a idéia geral do filme. Eu chorei no fim.

300

Ainda não li o comic "300", mas é imperdível porque é do tempo em que o Frank Miller era muito bom. O filme é bom. Não terá grandes ambições artísticas, mas cumpre na perfeição o seu papel de blockbuster épico.
Estéticamente é muito semelhante com a BD. O aspecto sobrenatural de alguns soldados e animais de guerra de Xerxes, a dimensão do exército persa quando comparado a 300 falangistas espartanos, a deformidade monstruosa do traidor Ephialtes, a impossível estatura quase divina do rei persa (excelente e surpreendente Rodrigo Santoro)...tudo isso tem a pretensão de ser apresentado e hiperbolizado como mitológico, já que a batalha está a ser descrita de forma homérica por um soldado espartano sobrevivente.

Miller é um apaixonado pela Batalha das Termópilas (veja-se a cena final em Big, Fat Kill), mas deixou bem claro que não pretendia rigor histórico. A figura de Xerxes, por exemplo, homo-erótica, gigantesca, depilada e cheio de piercings não corresponde - óbvio! - à sua imagem real. Mas como não gostar dele, e da sua voz alterada por computador!? A minha cena favorita do filme deve ser quando o Rei Leónidas o fere na cara, e ele sangra, lembrando-se que é humano e mortal.

O filme foi proibido no Irão. É natural que se possa tirar uma leitura geo-política de Espartanos (NÓS os Ocidentais), contra Persas (ELES, o mundo islâmico). Mas não creio que o filme vise isso. Este filme é um produto comercial e de massas, não um filme de Arte, como é evidente. Não chega sequer perto em termos de qualidade a Sin City, o filme que melhor cria um habitat equilibrado entre filme de culto e cinema pipoca. Mas, foda-se, é fixe!!!!:D

Jim e Sandra

Número 23 é um filme "pequeno", e o mais certo é ano que vem já nem nos lembrarmos dele. E no entanto é um interessante thriller psicológico, onde Jim Carrey demonstra uma vez mais que a sua versatilidade de actor não termina nas inconsequentes comédias que faz.

Neste ensaio sobre a obsessão, Carrey começa a ler um livro e descobre que existe uma inquietante semelhança entre a vida do personagem (um detective obcecado pelo número 23).

Joel Schumacher pode ter realizado o pior filme do Batman de todos os tempos, mas filmes como este ou o 8 MM são sempre de se ver.

Sandra Bullock...meu Deus, o que eu gosto da Sandra Bullock. Mas não posso dizer o mesmo de Premonição, um thriller sobrenatural sem cafeína onde Sandra vive uma semana em que sabe que o marido vai morrer, mas os dias passsam-se numa sucessão anacrónica, alternadamente antes e depois da morte dele. Enfim, se o Último Destino* e o Feitiço do Tempo tivessem um filho e ele fosse meio atrasado, seria este filme. A Sandra Bullock anda a desperdiçar a carreira em comédias românticas e em patetices sobre paradoxos temporais. É pena.


* O Final Destination um dia destes vai ter direito a um "Filmes que não me importo de ver "n" vezes"

quarta-feira, 11 de abril de 2007

John Bender

Na continuação do meu post sobre o Breakfast Club, eis "John Bender" em toda a sua plenitude. 50% Cómico, 50% Dramático, 100% cool!

domingo, 1 de abril de 2007

The Breakfast Club

Angústia Existeencial

Quem me conhece, ou está pelo menos familiarizado com o ensemble do meu opus bloguisticus sabe que eu tenho um apaixonado fascínio nostálgico pela cultura pop dos anos 80 (a oeste nada de novo; quem não tem!?)
O meu ardor 80ista é um mar de vagas de periodicidade e intensidade logicamente imprevisíveis, cobrindo de tempos a tempos esta ou aquela área da praia dos meus interesses.
Ultimamente, tenho vindo a arranjar (por vezes de formas não totalmente de acordo com as leis internacionais de defesa de copyright e do direito de propriedade intelectual) alguns filmes incontornáveis no campo da comédia teen dos anos 80.
Ok, não será Allen nem Lynch. Nem terão, na sua maioria, citações 80istas tão míticas como “Wax on, wax off” ou “Think, McFly, think!” ou “ET phone home!” MAS são filmes imprescindíveis para qualquer “Child of the 80s” que se preze (nasci em 1975, todo o meu banho cultural é 80s!). Falo de filmes como “Fast Times at Ridgemont High” (Sean Penn num papel de surfista adolescente pedrado 99% do tempo! Genial!), “Porky´s”, “Valley Girl - A Rapariga de Los Angeles”, “Fright Night - A Noite do Espanto”, “Weird Science - Que Loucura de Mulher”, “Pretty in Pink - A Garota do Vestido Cor-de-Rosa”, “16 Candles - 16 Primaveras”, “Revenge of the Nerds - Revolta dos Marados”, “Risky Business - Negócio Arriscado”, “The Breakfast Club - O Clube”, “Bill & Ted´s Excellent Adventure - A Fantástic Aventura de Bill & Ted”, e ainda alguns do final da década de 70, tais como "Meatballs-Almôndegas" e o lendário "Animal House", com o ainda mais lendário John Belushi, ou do início dos 90s como “Wayne´s World”.
Quando fui ver NIN em Lisboa, um amigo meu que só me dá bons conselhos sugeriu que eu comprasse “The Breakfast Club” na Fnac. Eu já tinha “e-mule-ado” o filme, mas uma vez que estava a €4,99 na loja, não hesitei. E em boa hora o fiz, porque “The Breakfast Club” juntou-se à vasta lista dos meus filmes favoritos, na mesma altura em que eu me juntei à vasta lista das pessoas que consideram este filme a obra-prima de John Hughes (escreveu e realizou), uma referência pop cultural dos anos 80 e O teen movie por excelência.
Compararmos este filme às outras grandes referências de Hughes, tais como “16 Candles” (escrito e realizado por JH), “Pretty in Pink” (escrito por JH), ou “Ferris Bueller´s Day Off – O Rei dos Gazeteiros” (escrito e realizado por JH, e o meu 2º filme favorito dele) - ainda não vi o “Weird Science” – é um bocado injusto.
Quando vemos “16 Candles” ou “Pretty in Pink”, e depois vemos “The Breakfast Club”, não podemos deixar de pensar que este último tem algo diferente. Os dois primeiros são comédias ligeiras e românticas, carregadas da essência dos anos 80 e lidando com os problemas típicos de adolescentes dos anos 80 (e de todas as outras décadas) tais como escola, relacionamentos, família e o ser aceite. “The Breakfast Club” lida com a mesma temática, mas de forma muito mais dramática e marcante.
A principal diferença nota-se na sensação fortemente claustrofóbica deste filme (que bem poderia ser encenado num palco) totalmente passado no edifício de um Liceu onde 5 alunos estão em detenção entre as 7 da manhã e as 4 da tarde de um sábado por pequenas infracções do código escolar. As 5 personagens não poderiam ser uma representação mais estereotipada da juventude teen americana de filmes (não é à toa que a escola secundária do "Not Another Teen Movie - Oh não! Outro filme de adolescentes” se chama John Hughes High”.): um “desportista”, um “crânio”, um “criminoso”, uma “maluca” e uma “princesa”. Todos com interesses e amigos diferentes, quando não incompatíveis. No início nem se falam, mas a sensação de isolamento, o confronto contra o “inimigo” comum, o director da escola (adultos e autoridade: o inimigo de sempre dos adolescentes, tanto aqui como na América, tanto no cinema como na realidade), leva-os a criarem laços de solidariedade, de confidência, e para o fim da tarde de forte amizade e mesmo amor que poderão (ou não) sobreviver na manhã de 2ª-Feira. O estereótipo que eles representam foi-lhes incutido pelo director e pela sociedade escolar, com tanta força que eles próprios acreditam nisso, e agem conforme é esperado que o façam. O filme gira à volta de uma carta que eles são supostos escrever, onde dizem ao director quem pensam ser: “Dear Mr. Vernon, we accept the fact that we had to sacrifice a whole Saturday in detention for whatever it was we did wrong. What we did was wrong, but we think you're crazy to make us write an essay telling you who we think we are. You see us as you want to see us... In the simplest terms and the most convenient definitions.”
Mas com o passar do tempo, as suas barreiras defensivas vão-se abaixando, e cada um vai expondo a sua alma, o seu coração e os seus problemas aos outros, numa psicologicamente violenta sessão de grupo forçada. Vemos então que nem tudo é a preto-e-branco como os filmes nos fazem crer. A idílica vida familiar da “princesa”, do “crânio” e do “desportista” mais não são do que fachadas; e eles sofrem na pele as frustrações dos pais, os problemas destes, e o obsessivo espírito de competitividade a que eles os sujeitam. Quanto à “maluca” e ao “criminoso” a vida familiar deles resume-se a indiferença no caso dela, violência no caso dele. Eles são todos fruto do meio onde vivem…e por isso sentem-se unidos. Até sempre ou até a manhã de 2ª. Não importa. Pois como a carta diz no final: “But what we found out is that each one of us is a brain…and an athlete...and a basket case...a princess...and a criminal...Does that answer your question?... Sincerely yours, the Breakfast Club.”
O filme conta com 5 dos principais 8 membros do Brat Pack (um grupo de jovens actores, adolescentes ou com cerca de 20 e poucos anos na década de 80 que entraram juntos em muitos filmes do género. Os outros 3 principais membros do Brat Pack são Rob Lowe, Andrew McCarthy e Demi Moore..a Wikipedia é nossa amiga!):
Emílio Estevez: no papel de Andrew Clark, o atleta lutador profissional que se sente obrigado a ganhar e a fazer tudo para agradar ao pai.

Anthony Michael Hall: representando Brian Johnson o aluno brilhante obrigado a um estudo constante pela família, de tal forma que chega a ponderar o suicídio por causa duma nota negativa.

Ally Shededy: no papel de Allison Reynolds, a solitária, cleptomaníaca e mentirosa compulsiva que deseja ardentemente ser notada.

Molly Ringwald: claro que Molly, a diva de John Hughes, actriz principal de alguns dos seus filmes, Lolita pura mas não ingénua de cabelos de fogo curtos não poderia faltar. Desta feita, fugindo um pouco ao seu papel de menina rebelde, interpreta Claire Standish, menina rica a quem o pai dá tudo, numa competição impiedosa contra a mãe dela, pelo amor da filha.

Judd Nelson: no melhor papel do filme (e da sua carreira). John Bender, o criminoso cool. O marginal sem papas na língua, que tanto está a assediar Claire (eles acabam juntos no final) ou a provocar Andrew, como a oferecer ganza aos amigos ou a sujeitar-se a uma sanção maior para os salvar. Bender, o gajo que disse pela primeira vez em filme ao director a expressão que toda a gente pensava que era de Bart Simpson: “Eat my shorts”. Matt Groening adora John Bender, aliás. Há um episódio dos Simpsons em que um Bart Simpson ainda na 1ª Classe recria essa cena com o Director Skinner. Já para não falar que o deliciosamente amoral robot de Futurama, Bender, é uma homenagem a este filme.
Ainda Paul Gleason no papel do director, papel que ele recria em Not Another Teen Movie, onde satiriza a cena de maior tensão com Bender. Em Not Another Teen Movie, Molly Ringwald, quase quarentona mais ainda uma bela MILF ruiva, também satiriza os seus próprios filmes: “How did you know he stole that line from Pretty in Pink?” Molly: “Trust me, I know!”

Antes de te afirmares um apaixonado da década de 1980, certifica-te que viste este.
Se só vires um filme de adolescentes na tua vida, certifica-te que é este.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

48 horas

durmo 3 horas de 4ª para 5ª feira trabalho o dia todo vou ver 2 filmes seguidos no Fantasporto até à 1.30 da manhã chego a casa durmo 4 horas e meia de 5ª para 6ª feira trabalho o dia todo vou fazer uma prova de esforço muito fodida ao ginásio vou a correr para o Rivoli tendo jantado só uma sopa como um cheeseburguer da McDonald´s a meio da 1ª sessão, vejo três filmes seguidos no Fantas até às 3.15 da manhã volto para casa num tâxi em estado semi-comatoso de sono a rádio na Nova Era a bombar só hip hop e nigga muic em geral em altos berros e de repente o motorista acha por bem encetar uma conversa meta-física sobre os piscas e porque ninguém hoje em dia acredita em os usar passando depois para uma dissertação sobre o que fazer no stop e eu sinto-me como o Joseph K. no Das Schloss quando está na cama e só quer dormir mas o secretário não para de falar e eu só respondo por meio de grunhidos que tentam soar como ah pois é eles são sempre os mesmos e risinhos hipócritas isso para não o mandar foder pronto é só agora vou dormir antes que comece a sangrar dos olhos e a massa encefálica me comece a sair pelas orelhas

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Hannibal Rising


Confesso que não tinha esperanças nenhumas para este filme. Afinal, o psiquiatra que não tem problemas de ética profissional em comer os clientes que nós adoramos é o Anthony Hopkins! Como esperar que um miúdo francês desse conta do recado representando o Hannibal Lecter na sua cruzada de vingança conta aqueles que o transformaram no que ele é hoje? E como esperar que o realizador de “Rapariga com Brincos de Pérola” fizesse uma obra com bom gosto, requinte e muito sanguinho?

Ambos fizeram um excelente trabalho; quando o protagonista de um filme comete crimes horrendos E mesmo assim só sentes simpatia por ele, sabes que estás perante um bom filme de terror. Hannibal Lecter é um monstro, não por ter nascido assim, mas porque lhe quebraram o espírito e lhe mataram o coração. Talvez como análise psicanalista seja muito básico e errado…mas para argumento de thriller, chega perfeitamente. (falando em MILFs, e aquela senhora asiática? Ui, ui!).

E eu que pensava em que filmes agradáveis em que garotas chamadas Michas fossem comidas só existiam no cinema checo ou russo…