segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007
Aflições
Não é que na capa de hoje havia uma notícia a dizer que a Merche Romero saiu do desfile de Carnaval para ir ao WC de um café? Sabendo do que a casa gasta, o meu palpite é que ela não deve ter ido fazer o #1 nem o #2, mas antes reabastecer as baterias, mais ou menos assim:
domingo, 18 de fevereiro de 2007
The A-Ring! This is so cool!
Hannibal Rising

Ambos fizeram um excelente trabalho; quando o protagonista de um filme comete crimes horrendos E mesmo assim só sentes simpatia por ele, sabes que estás perante um bom filme de terror. Hannibal Lecter é um monstro, não por ter nascido assim, mas porque lhe quebraram o espírito e lhe mataram o coração. Talvez como análise psicanalista seja muito básico e errado…mas para argumento de thriller, chega perfeitamente. (falando em MILFs, e aquela senhora asiática? Ui, ui!).
E eu que pensava em que filmes agradáveis em que garotas chamadas Michas fossem comidas só existiam no cinema checo ou russo…
Hollywoodland
Baseado em factos reais (a estranha morte do actor George Reeves durante uma festa), Hollywoodland mostra-nos a obsessão de um detective privado em saber a verdade (nada muito original) sobre a morte de Reeves, que teve um papel secundário em “E Tudo o Vento Levou” e fazia de Superman na TV, e que era amante da esposa de um riquíssimo e sem escrúpulos executivo da MGM. Um daqueles biopics em que se demonstra os podres da indústria que se representa (uma das coisas que eu amo nos EUA é esta capacidade que eles têm de auto-crítica sincera e corajosa). Gostei mais da Dália Negra, no que a esse género de filme diz respeito. Mas este filme tem duas coisas de interesse. Adrieb Brody sempre em grande, mais uma vez a demonstrar que é um dos melhores actores da sua geração; Diane Lane, linda (aqui sou eu a confessar a paixão que nutro por MILFs) e eficaz no papel de mulher do executivo da MGM; o executivo, o sempre grande Bob Hoskins; Robin Tuuney (famosa por Prison Break) …não que ela seja especialmente talentosa OU bonita…mas aqueles olhos…meu Deus, aqueles olhos; e finalmente Ben Affleck, a provar que afinal de contas não é assim tããão mau actor (isto é um grande elogio que lhe estou a fazer.).Blood Diamond

Blood Diamond estranhamente não foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme.
Estranhamente porque tem tudo para ganhar: tem o Leonardo DiCaprio (que me está a surpreender como actor…talvez ganhe ele o Óscar?) a morrer no fim (toda a gente sabe que filmes em que o Leo morre no fim são bem premiados, e dá a Hollywood aquele ar todo modernaço de se preocupar com questões sociais relevantes (no caso o tráfico ilegal de diamantes, crianças-soldados e a forma quase esclavagista como os africanos são obrigados a trabalhar como mineiros), AO MESMO TEMPO que mostra um irrealista final (não feliz, mas agridoce) moralista americano, em que o traficante de diamantes, um criminoso ambicioso nascido na antiga Rodésia, e sem ter completamente aniquilado os seus preconceitos raciais, acaba por mudar totalmente, dando ao negro e ao seu filho a oportunidade de fugirem com o diamante e a hipótese de denunciar a situação vivida na Serra Leoa aos finais do século XX, sacrificando-se e morrendo pelo amor à verdade, a uma mulher (americana! Grande surpresa!!!) e a África, no fundo.
Ok, posso achar o final um pouco idealista demais. Mas gostei do filme. Muito! Mostra-nos a realidade que não queremos ver (“this Sierra Leone news are shown on CNN, somewhere between the sports and the weather”) de uma forma brutal, crua, nua, dura.
Nós não sabemos o que é o 3º Mundo. Nós não sabemos o que é África. Ouvimos dizer que é um lugar pouco agradável, em que pessoas fazem coisas pouco agradáveis a outras pessoas, e que a maior parte dessas pessoas não têm vidas muito agradáveis. Por vezes é bom filmes como estes. Uma estalada na cara para quebrar a letargia.Dêem a Djimon Hounsou o Óscar de Melhor Actor Secundário. Por favor!
Little Niss Sunshine

Porém foi uma surpresa agradável colocarem esta pequena jóia agora em reposição no Cidade do Porto (eu já vi há largas semanas), ganhadora já de vários prémios da crítica e de festivais de cinema independente, na lista de candidatos a melhor filme, bem como terem nomeado Alan Arkin e Abigail Breslin (avô e neta no filme) para o Óscar de melhor Actor Secundário e melhor Actriz Secundária.
Como todos os melhores argumentos, este é bem simples, à primeira vista. É basicamente um dysfunctial family road movie. Nesta comédia negra temos um homem cuja profissão é vender o seu plano motivador de 9 passos para uma vida melhor ficar recentemente falido, a sua mulher, cheia de stress e trabalho, o irmão desta, que acaba de sair de um estado de depressão e tentativa de suicídio por ter visto um seu colega professor da universidade roubar-lhe o seu namorado/estudante e a sua posição como principal autoridade de Proust na América, os dois filhos do casal, um adolescente cheio de angústia (adolescente cheio de angústia? Essa é nova!) totalmente obcecado por Nietzsche que fez um voto de silêncio até atingir o seu objectivo de entrar na Academia da Força Aérea, e a excelente Abigail Breslin como uma menina que se inscreve num concurso de beleza na Califórnia, apesar de se achar mais gorda e menos bonita que as tradicionais rainhas de beleza; e finalmente o avô paterno dos miúdos, recentemente expulso de um Lar para a 3ª Idade por sniffar heroína. Estabelece-se entre o avô e a neta uma ligação especial, que o leva a motivar e treinar a neta para o concurso de talento e beleza infantil que terá lugar na Califórnia. Assim a família vê-se obrigada a ter que se aguentar junta durante dois dias, o tempo de ir do Novo México para a Califórnia na sua velha carrinha VW amarela.
Durante a viagem, a morte do avô, a quebra do voto de silêncio (e do seu sonho de ser piloto da força aérea) do irmão e o final em que a família defende a miúda da indignação dos júris e público do número burlesco e quase strip-tease-ico que fez em honra do avô (e também a defendendo dos preconceitos estéticos e de beleza-padrão ocidentais) leva a família a unir-se e a reforçar os seus elos afectivos. Esta deliciosa comédia negra que trata das relações familiares, (do erro) da concepção a preto-e-branco, ganhadores/perdedores da sociedade contemporânea, conta ainda com a participação da minha querida Toni Collette, uma actriz que na minha opinião é muito subvalorizada.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
O Aborto da Ilha
"Tens 9 anos e estás grávida de um turista belga. E queres abortar!? Na Ilha não, querida! O teu direito constitucional perde força face ao carácter vinculativo da minha arma!"A última diarreia mental do Aborto da Ilha gira à volta de duas idéias-chaves. A primeira é que os portugueses não têm testículos pelo facto de, na sua maioria (dentro da minoria que se deu ao trabalho de ir votar), terem dito SIM à despenalização da interrupção voluntária da gravidez no recente referendo. A segunda é que se a lei for aprovada (SE!! LOL) ele próprio irá contestar a sua validade constitucional, dado o carácter não vinculativo do dito referendo.
Sabem, eu não sou uma pessoa educada e culta como o Aborto da Ilha. Não passo de um pobre campónio semi-analfabeto e para o Aborto da Ilha eu devo ser um cubano/comuna/terrorista/ateu/excomungado/assassino de crianças (essa inesgotável fonte de rendimento da Ilha), que irá para o Inferno juntamente com toda a sua cidade de cubanos/comunas/terroristas/ateus/excomungados/assassinos de crianças (essa inesgotável fonte de rendimento da Ilha), o único distrito do Norte que teve a ousadia iconoclasta de dizer SIM! SE eu fosse responder da forma que sei aos seus argumentos, teria que escrever uma longa epístola em que, usando e abusando de uma linguagem, vá lá, colorida e gráfica, bem brejeira e ao nosso gosto ("Gil Vicente e tal" como diriam os outros), sugeriria ao Aborto da Ilha que fosse visitar lugares bem exóticos; que se envolvesse em relações sexuais, algumas das quais algo bizarras e badalhocas, e incluindo seres vivos não necessariamente humanos; e ainda daria o meu palpite sobre a profissão exercida pela senhora sua mãe.
Consciente da minha inferioridade face ao Aborto da Ilha, tentarei apenas reduzir a minha ignorância campestre, levantando várias questões evitando o vernáculo do meu norte (conti)natal, por respeito a tão refinado pensador e cavalheiro.
1 - "Os portugueses não têm testículos porque votaram Sim!"
Isto significa que o Aborto da Ilha é um nosso compatriota destesticulado, ou que se afirma como um estrangeiro?
2 - Se é estrangeiro, podíamos parar, por favor, de lhe enviar o nosso dinheiro?
3 - Mas espera, da última vez que eu vi, eu tinha um par deles! Significa que eu não sou português, ou terei alguma maleita fatal, quiçá um temor maligno manifestado pela existência de dois inchaços (um um pouco maior que o outro) na região da minha - de outra forma rasa - virilha?
4 - Se não temos testículos, porque há gravidez, abortos e referendos? As nossas mulheres andaram aí na maroteira com estrangeiros?
5 - Os referendos sem força vinculativa têm força vinculativa nos casos em que a nossa opção ganhou?
6 - Mais abortos = menos meninos pobres na Ilha = menos realizadores de filmes "independentes" neerlandeses a visitarem a ilha = menos euros a rechear os cofres da Ilha. Esta equação está correcta?
7 - O Aborto da Ilha saberá que já estamos todos um bocadinho fartos de darmos dinheiro para financiarmos clubes de futebol da Ilha e jornais de propaganda partidária da Ilha, ao mesmo tempo que somos insultados?
8 - O Aborto da Ilha tem muitos fãs dele e do seu estilo no continente. Não seria possível que imigrassem todos para a Ilha?
9 - Se os portuguesses tivessem mesmo testículos, dos grandes e no sítio, algum Primeiro-Ministro, Presidente da República ou dirigente do partido do Aborto da Ilha já teria metido aquele grande filho da puta no seu lugar. Significa que ele tem razão?
10 - No próximo referendo, não podemos decidar dar a independência àquela merda?
PS - Vá lá, só usei dois palavrões: "merda" e "puta". Nada que não tivesse sido já dito no Parlamento da Ilha para insultar deputados de outros partidos.
