
terça-feira, 31 de julho de 2007
30 de Julho de 2007 - o dia mais negro do Cinema Europeu

segunda-feira, 30 de julho de 2007
sábado, 28 de julho de 2007
Viajar no Metro do Porto é uma experiência Kafkiana (parte 1 de 5)
1. Eram 6 da tarde de um dia escuro em meados de Outubro, e José K., 35 anos, funcionário bancário de méritos injustamente pouco reconhecidos encontrava-se na plataforma de embarque da Estação do Metro da Casa da Música na Avenida de França, pronto a embarcar com destino à Estação de Sete Bicas na Senhora da Hora, onde se iria encontrar com Josefina B., cabeleireira que o distraía e confortava nas horas vagas e livres.Como sempre, a aquisição (ou antes, carregamento) do bilhete foi uma experiência traumatizante. José K. não apreciava a máquina de bilhetes. Era preciso um curso intensivo para se familiarizar com todas as nuances, as pequenas especificidades do touch screen. Evidentemente que a informação não era muita. Resumia-se a um mapa na parede, onde a zona urbana da região do Grande Porto se encontrava segmentada em áreas multicoloridas, sendo atribuída a cada área uma letra (normalmente “Z”, “N” ou “C”) seguida de um número para identificar o tarifário do bilhete. José K. não queria de forma alguma ter que pagar uma multa, por isso estudava sempre minuciosamente o mapa. O que era desarmante é que lhe parecia que as letras, números e mesmo cores variavam de estação para estação. E ainda que, nesta mesma estação, as letras, números e cores nunca eram as mesmas de dia para dia. Atribui a isso cansaço mental, provocado por stress no escritório e no seio da sua família.
Introduziu o bilhete na máquina, viu que a última vez que o tinha carregado tinha sido com “Zona 3”, voltou a carregar mais uma viagem da Zona 3 (embora lembrava-se, ou parecia lembrar-se, que da outra vez que tinha estado com Josefina B. tinha pago somente 2 zonas. Porém, quem o poderia afirmar? Preferia pagar mais alguns cêntimos do que se meter em confusões com Die Metro von Porto!), voltou a tirar o bilhete.
Quando se preparava para pagar verificou que não tinha moedas trocadas. Como a máquina não aceitasse notas, dirigiu-se a um segurança, alto e esguio, de longos bigodes grisalhos que se encontrava de sentinela encostado à parede. Pegando numa nota de €5,00 perguntou-lhe se poderia fazer o favor de lhe destrocar.
Olhando José K. com gelados olhos azuis, o segurança disse somente:
- Não posso ajudá-lo. Mesmo que quisesse, não me é dada essa opção. Não sou mais aqui que um simples "camisa castanha".
José K. tentou obstar, mas o segurança só lhe disse:
- Meu amigo, quem pensa que é? Cada acção que faça dentro do Metro pode servir para a sua condenação!
E virou-lhe as costas. Perplexo, e não vendo mais ninguém na estação, José K. só teve a opção de introduzir o seu cartão de débito na ranhura destinada para o efeito. Meteu o cartão, tirou o cartão, mas ao introduzir o PIN, notou que os botões numéricos do Multibanco estavam muito presos e não reagiam, por mais força com que carregasse. Por fim a operação foi anulada por ter sido ultrapassado o tempo necessário para a operação. Suspirou. Voltou a introduzir e retirar o cartão e tentou martelar as teclas. Repetiu 2 ou 3 vezes a operação até finalmente, quando estava para desistir, conseguiu fazer a transacção.
Passou o bilhete na máquina de validação do Cartão “Andante” e desceu as escadas rumo à gare. Ali chegado, viu que o próximo metro chegaria daqui a 3 minutos. Para relaxar da aventura do bilhete, foi tomar um café numa das muitas máquinas de comes e bebes com que Die Metro von Porto dotou as estações subterrâneas. Tirou café a escaldar, quando ouviu a voz feminina automática:
“Estimado Cliente, o próximo veículo a dar entrada na linha …1 tem como destino a estação…Senhor de Matosinhos!”.
Atónito viu o comboio a arribar. Olhou para o placar electrónico. Por certo não deviam ter passado 3 minutos. Estarrecido, viu que o número de minutos escrito era “1”, embora só se tivessem passado poucos segundos desde a última vez que olhou.
“O Metro do Porto chega sempre a tempo” era a lei principal de Die Metro von Porto!
terça-feira, 24 de julho de 2007
Finalmente um quiz sincero!
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segunda-feira, 23 de julho de 2007
Death Proof

Sim, Tarantino está de volta com Death Proof, a sequela(!) do filme repartido chamado Grindhouse que escreveu e fez em parceria com Robert Rodriguez. A prequela, Planet Terror, realizada por Rodriguez tem estreia em Setembro.
OK, pessoalmente não acho que Death Proof seja o melhor filme de Tarantino. Seria injusto compará-lo aos seus “irmãos mais velhos” no entanto, uma vez que não é um projecto independente e autónomo. Mas tudo o que nos faz gostar de Tarantino está lá:
Há duas coisas que saltam à vista neste filme: um forte 70s feeling (Duel vem à mente nalgumas cenas) e claro está, o girl power.
A 1ª parte do filme parece um Coyote Ugly on steroids. E que bem que está Quentin no seu cameo usual representando o barman Warren.
Claro, aqui aparece a verdadeira estrela do filme, Kurt Russel, no seu melhor papel desde há anos, uma nova feliz "vítima" da magia tarantinesca de ressuscitar carreiras.
Russel como o Duplo Mike, retornado como uma espécie de um evil Snake Plissken, com os dois olhos mas seriamente perturbado, muito menos susceptível de excitação sexual por um fabuloso lap dance do que pela caça e assassinato de jovens e belas mulheres na auto-estrada, atirando-se contra os carros delas com o seu carro de stuntman, “à prova de morte se estiveres sentado ao volante”.
O girlpower, presente em Kill Bill (como esquecer The Bride?!) aqui aparece em força, quando três mulheres (a beleza exótica de Rosario Dawnson volta a revestir-se de força depois de Sin City, e de referir o bom trabalho de Zoe Bell, a stuntwoman kiwi que costuma trabalhar nos filmes de Tarantino) agindo em conjunto, vão finalmente lutar contra a esmagadora falocracia de Mike. Um homem e o seu carro num mundo em que as mulheres não são mais que mero objecto de caça e gozo, a serem usadas, mastigadas e cuspidas a seu bel-prazer. Fast cars, fast women. A metáfora sexual torna-se mais do que evidente quando vemos o Stuntman Mike sentado no capô do carro, com o ornamento a surgir entre as pernas.
Em nota de rodapé, adorei essa de aparecer o sheriff do Kill Bill e o seu “son number one”. E a cena em que aparece Lebanon…e somente uns segundos depois ,Tenesse.
São estes pequenos nadas tarantinescos que definem o autor e a sua obra.
domingo, 22 de julho de 2007
Arriba España y Viva Franco ou É esta a "Iberia" em que queres que vivamos, Saramago?
El Jueves, de seu nome completo “El Jueves, la revista que sale los miércoles”, literalmente “5ª-Feira, a revista que sai às 4ª-Feiras”, para quem não saiba, é uma revista satírica semanal e contestatária de humor, com um cunho nitidamente anarquista, republicano e de esquerda. Pensem numa mistura entre José Vilhena e a MAD Magazine, traduzam para espanhol e terão ideia do que eu estou a falar.
El Jueves, como todo bom ícone pop cultural anti-conformista é imparcialmente iconoclasta. Nada nem ninguém de relevo na Sociedade Espanhola está a salvo de El Jueves. Casa Real, Governo, Oposição, PSOE, PP, Opus Dei, Igreja Católica, ETA, figuras da Imprensa, da Arte, do Cinema, da Música, do Desporto, políticos nacionais ou de regiões autónomas espanholas, do Jet Set e as principais figurinhas e acontecimentos sócio-políticos mundiais são semanalmente derretidos com o mais corrosivo (mas fino e inteligente) humor.
Esta semana, El Jueves foi vítima de um sério atentado à Liberdade de Expressão. A sua última capa ofendeu certamente a Família Real, já que um juiz mandou que se apreendessem todas os exemplares desta semana. A capa é esta:
É uma sátira aos incentivos à natalidade oferecidos recentemente pelo Governo de Zapatero. Felipe, o Príncipe das Astúrias a agarrar Letizia numa bela duma canzana, e o texto diz:
“Já te deste conta que se engravidares isto é o mais perto de trabalhar que eu estive na vida?”
Eu sei que o caso é polémico. Eu sei que uma opinião consensual nunca seria alcançada, uma vez que está em causa, tal como nos casos dos cartoons dinamarqueses de Maomé, um conflito de consciências entre quem pensa que a Liberdade de Imprensa é um direito sagrado e não alienável, e quem pensa que há o dever moral da Imprensa impor a si mesma certos limites, de forma a não ofender ninguém nem ferir susceptibilidades e a não cair na Libertinagem de Imprensa. Ambos os argumentos são válidos e correctos.
Eu defendo a liberdade da Imprensa publicar o que bem entender, dentro do tipo de publicação que faz, desde que não falte à verdade e não difunda mensagens de ódio.
Posto isto, há que ter em conta a especificidade de cada publicação. Um jornal ligado à Direita como o ABC evidentemente que apresentará uma notícia tratada de forma a dizer mal de Zapatero, um jornal nacionalista Catalão como o Avui (escrito nessa língua) apresentará uma opinião tendente à autonomia senão independência da Catalunha…e uma revista de humor como El Jueves goza tudo e todos.
A minha opinião é que não entendo como a capa pode ser ofensiva para alguém. Os Príncipes das Astúrias são casados, fodem e têm filhos. Isso parece-me óbvio, até para os mais empedernidos espanholistas monárquico-católicos. As figuras públicas perdem um pouco o direito à imagem. É assim que as coisas são. Quem quer que pudesse ter ficado ofendido com essa revista certamente não lê El Jueves. Quem lê El Jueves são anarquistas, intelectuais de Esquerda, republicanos e nacionalistas galegos, bascos e catalães (embora a revista seja escrita 100% em castelhano e não tenha uma tendência separatista). Eu penso que o verdadeiro problema é que a revista insinuou (oh, coisa grave!) que os gajos da Casa Real são uma cambada de preguiçosos e ociosos!
É assim que El Jueves é. El Jueves gosta muito de gozar a Casa Real (Quando o Rei teve o seu primeiro neto, a capa de El Jueves mostrava ele com o bebé nos braços e a dizer: “Sofia, o nosso neto saiu-nos Republicano. Acaba de me mijar encima) mas porque a Espanha é uma Monarquia Constitucional. Se fosse uma República por certo gozaria o Presidente.
Esta é a minha opinião. Porém respeito quem não pense assim, e quem pense que foi cometido um crime de ofensa pessoal e lesa-majestade.
Mas eu tenho que ficar enojado que a Espanha, que tanto sofreu na Guerra Civil e às mãos de El Caudillo possa em pleno século XXI tomar essa venezuelana atitude de censura e arrogância autoritária. Lá como cá, os velhos fantasmas não se exorcizam nem se evaporam no nada, para sempre presos a esta península meridional. Lá como cá, um pseudo-partido de Esquerda caminha em alta velocidade na contra-mão.


